A propósito da escolaridade obrigatória vir passar a ser até ao 12º ano leio alguns dados lançados pelo João Barreiros na sua coluna no Expresso :
De acordo com os últimos dados disponíveis, 45% dos jovens entre os 18 e os 24 anos não tinham concluído o ensino secundário e não se encontravam a frequentar a escola, em 2001. A média da União Europeia é de apenas 19%.- In Expresso Emprego
Ponho-me a pensar nisto e a conjecturar um pouco acerca de possíveis explicações:
1. um grande número de jovens não encontra na escola o tipo de conhecimentos que lhe parecem necessários para aquilo que ele ambiciona no seu mercado de trabalho (o pai é mestre de obras ou serralheiro, não ambiciona mais para os seus filhos, e pretende manter o legado familiar...)
2. o seu agregado familiar não tem as disponibilidades financeiras para apoiar a continuidade dos seus estudos e depende do rendimento de mais um para "ganhar o pão" do dia-a-dia (não deveria o estado aqui intervir mais um pouco até à nova escolaridade obrigatória)
3. o jovem no ambiente onde está inserido, ou na sua mente, não encontra as motivações necessárias para continuar os estudos (talvez um dos factores mais importantes na sociedade actual para além da falta ou não de dinheiro)
4. os jovens na sua cabeça começam a ter uma imagem, cada vez mais actual, acerca daqueles que investiram nos estudos e estão exactamente na mesma posição daqueles que o não fizeram (ouvia à uns dias um amigo dizer-me que conhecia outro licenciado que tinha afirmado possuir apenas o 12º ano para conseguir arranjar um simples emprego num concurso)
Serão certamente várias as explicações possíveis para estes dados, e também serão sempre muito mais complexas do que meras especulações acerca do assunto. No final fica-me apenas a certeza de que não será por decretar um novo limite para o ano de escolaridade obrigatória que se altera esta dura realidade...
Será possível econtrar um sistema de ensino perfeitamente adapatado às realidades de um mercado de trabalho em constante mutação no dia-a-dia ?
Quem define aquilo que são as "ferramentas" essenciais para o mercado de trabalho que são necessárias adquirir no ensino ? Estarão essas actuais ?
Será que o ensino é uma verdadeira "escola para a vida", ou esta é algo que se aprende apenas na vivência do terreno, onde esta surge de um modo duro e frio tantas vezes ?
Há que encontrar as respostas.... Urgentemente !
Publicado por Antonio em julho 6, 2003 03:32 PM