julho 15, 2003

Coisas do "outro" mundo

Um estudo recente publicado na Nature chegou à conclusão que tal como os criminosos os investigadores atingem a sua performance máxima aos 30 anos, decrescendo em seguida....

Psychologist Satoshi Kanazawa of the London School of Economics and Political Science examined the lives of 280 eminent scientists, including Pierre Curie and Albert Einstein. He found that 65% had published their best paper by the age of 35. What's more, unmarried scientists peaked later in life than those who had tied the knot(...)
(...)Picking locks and publishing papers are ways of catching the female eye(...)

Muito curiosa esta questão do casamento...

Não deixa de ser interessante o facto apontado de que aqueles que são solteiros atingem mais tarde esse "pico".... de facto, não encontro muitos investigadores solteiros, creio muito embora que esta situação tenderá a alterar-se nestas últimas gerações de investigadores dada a insegurança crescente que esta actividade oferece nos dias de hoje (uma bolsa para isto hoje, para aquilo amanhã e depois !?) e a dificuldade crescente em encontrar um "poiso" numa universiade ou centro de investigação como muitos dos "galos de capoeira" foram capazes de encontrar já lá vão alguns anos...
Mas é precisamente nesta procura pelo "poiso" que se torna cada vez mais preemente publicar, é hoje essa a grande máxima: "publicar, publicar, publicar", numa visão claramente apreendida no "novo mundo" onde o investimento na investigação já desde á muito tempo é visto como estratégico, mas onde a constante luta por um paper esqueçe, por vezes, de alguma fundamentação dos resultados ...
e, assim, estes terão sempre tendencia a surgir cada vez mais cedo no percurso de investigador.

No entanto,

Hoje um trabalho de investigação sério onde estejam envolvidas várias pessoas é absorvente, requer uma grande dedicação e paciência para se ultrapassar as dúvidas e pequenos problemas que vão surgindo levando-nos, por vezes, a por de lado outras coisas e no final a questionarmo-nos ...
"O que é que nós andamos aqui mesmo à procura (na vida) ?", quando nem sempre vemos reconhecido o interesse e a dedicação que pomos naquilo que fazemos...
(Coisas de um país onde a investigação é vista como um mundo muito interessante, mas à parte, onde os problemas do dia-a-dia, estruturais na sua maioria, continuam a ser demasiado preementes para desviar a atenção para uma leitura mais ambiciosa para o futuro por parte dos gestores da maior parte das empresas)

No final, os autores do artigo salvaguardam que...

(...)the reality of lab life today is more complex than publication lists suggest. As scientists get older, they spend more time leading research facilities, writing grants and supervising students. So personal productivity may make way for collaborative endeavour.

De facto, na investigação, como noutros sectores do nosso tecido sócio-profissional, a idade é um posto, embora este não sirva como um entrave à realização de um trabalho sério de investigação este serve normalmente de um amplo "guarda-chuva" do coordenador que tem basicamente o papel de dar o nome e arranjar os financiamentos, numa área onde o "nome" tem uma forte influencia... nada mau e mais natural, enquanto se é caloiro nestas coisas da investigação,... o problema surge quando já se adquiriu o know-how e se procura conquistar uma posição que na maior parte das vezes surge por ruptura com aquela do que era então o nosso "guarda-chuva", dado o claro interesse que este pode ter em manter a sua posição, o problema surge percisamente em preencher essa posição efectiva num sector onde os "galos de capoeira" estão muito mais interessados em arranjar sempre novos "pintos" que lhes vão assegurando o crescente aumento do seu curriculum vitaeper si bem constituído...
É claro que aqui aquele que realiza o trabalho "propriamente dito", também benificia do status-quo, à partida deve conseguir arranjar uma bolsa (até nem são assim tão más no dias de hoje) que o remunera pelo trabalho que está a desenvolver, beneficia do know-how do seu corrdenador, que começa por ser muito superior ao seu na matéria específica que desenvolve,...
o problema surge, como já me referi aqui, no momento em que se começa a ambicionar pelo seu espaço próprio....

Coisas da investigação que afinal não são assim tão diferentes do "outro" mundo real...

P.S: já andava com vontade de escrever qq sobre isto...

Publicado por Antonio em julho 15, 2003 11:13 AM
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