outubro 22, 2003

Drogados

Se se pudesse dar uma droga a cada cor política, a cocaína seria a droga do regime, como o charro é a dos desiludidos da esquerda, a heroína dos abstencionistas, a ecstasy dos CDU e liberais, etc. (...)

(...)é evidente que a cocaína não é propriamente uma droga dos trabalhadores: pelo preço, à volta de doze contos a grama; pelo efeito - a coca é a droga da eficácia imediata, não da produção em série.

Cheira-se uma linha e tem-se a sensação de que se pode ser nomeado subsecretário de Estado sem necessidade de experiência alguma (...) Ou que seremos irresistíveis em qualquer sítio e com qualquer pessoa, é um facto que devemos acreditar quase cegamente (...) para nos podermos solidarizar com a perseguição implacável que se faz à venda legal deste produto.

O seu efeito energético parece tão perfeito que não se compreende onde está o mal.

O seu efeito é descritível. Ao cheirá-Ia, quando é mesmo boa (...) estamos preparados, com coragem e decisão, para enfrentar as vicissitudes que a vida nos coloca.

Em termos estritamente económicos, feitas as contas, não é tão caro como tudo isso. Uma garrafa de whisky novo numa discoteca custa cerca de quinze contos

O efeito gingão e grosseiro que o álcool provoca não se sente com a cocaína. Contudo, têm em comum uma verdadeira vocação social. A conversa fácil e uma certa diminuição da timidez são notáveis. A sensação da omnipotência dura pouco, e a repetição da dose é necessária

Se se trata de terminar um trabalho, a maior ou menor disposição para o dito pode sugerir uma necessidade também maior ou menor da quantidade a consumir

Claro que se pode falar de coca como a droga abrangente por excelência. Não nos desvia dos nossos objectivos nem distorce a realidade. Só as nossas potencialidades são artificialmente exageradas

Não nos enganemos. O êxito da droga reside no seu efeito imediato. A longo prazo, tomado abusivamente ou sem períodos de recuperação, deve, provavelmente, fazer mal

COISAS QUE ESCAPAM

O Alentejo
O Passado
A EN 1
Os Iates
O Estrangeiro
A Arte em Geral
A Sida
Alguns Portugueses
O fogo posto
O PSR
O Saudosismo
Os Correios
As Indirectas
A Sabedoria
Bater com a porta
A Leitura
Os Palavrões
As Ordens Religiosas
Os Nossos amigos
(...)

in K, nº 15, Portugal como dar o salto: Cocaína / Coisas, Alberto Castro Nunes et alii, Dezembro 1991
[Kapa]

Anda por aí muita gente a consumila ultimamente....
Senhores políticos e deputados é favor consumir com moderação !

Publicado por Antonio em outubro 22, 2003 10:24 AM
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