Só para abrir o apetite de leitura...

Nós falamos quase sempre como quem usa frases, palavras. Às vezes, e de repente, sentimos que, pelo contrário, estão as frases, as palavras, a utilizarem-nos como se fôssemos nós, e não elas, a servir de veículos para um certo sentido.
As palavras, quando usadas, servem-nos de mãos, mãos de mil dedos invisíveis, que enredam as coisas e de algum modo as manejam. Quando são elas, vivas, a usar-nos, não há fora delas, quaisquer coisas situadas ou a situar: a fala e o mundo consubstanciam-se em um mundo só, e parece que renascemos. Trabalha-nos um novo senso do real e do humano.
Óscar Lopes
Uma espécie de música
In "Sentido que a vida faz - estudos para Óscar Lopes"
Publicado por Antonio em outubro 23, 2003 07:01 PM