«Quando não se tem coragem suficiente para se ser pacifista é-se guerreiro. O pacifista está sempre só.
O guerreiro tem a certeza de estar de acordo com a maioria. Se é uma questão de maioria, pode estar tranquilo, faz parte dela... Se tem necessidade de grandeza, como toda a gente, é no trivial que lhe é reconhecida uma grandeza 'à sua medida'. Tudo está preparado para ele à partida. Se um homem teme ser um dia obrigado a ultrapassar o homem, que deixe de temer e que se torne guerreiro, ou, mais simplesmente ainda, que não se preocupe, que se deixe conduzir, pois colocá-lo-ão no serviço de guerreiros... todo o jogo da guerra se apoia na fraqueza do guerreiro... O simples soldado: nem bom nem mau, alistado nela porque não é contra. Sofrerá, com toda a normalidade, a sorte dos guerreiros até ao dia em que, como o herói de Faulkner, descobrir que 'qualquer pessoa pode cair inadvertidamente, cegamente, no herísmo, como se cai numa abertura de esgoto, escancarada no meio do passeio'... É absurdo sustentar que um exército, constituido por milhões de homens, é a personificação da coragem: é a conclusão da facilidade.»
Jean-Paul Sartre, in Cadernos de Guerra [@]
Creio que encontrei uma perespectiva acerca da questão que alguem levantou e que guardo ainda comigo. De facto o nosso belicismo deverá talvez resultar da simples tendência para optar por aquele que é o caminho "mais fácil" indo de encontro às massas.... hoje, efectivamente, o grande desafio está em ser pacifista num mundo que procura explorar o que de bélico existe em nós...
Publicado por Antonio em março 2, 2004 04:57 PM