Numa vida de cão, até para ser cão é perciso ter sorte e quantos de nós já não tiveram um cão que sendo um "cão cão" era na realidade um cão como nós, parte de uma mesma família,....
"Não era um cão como os outros. Era um cão rebelde, caprichoso, desobediente, mas um de nós, o nosso cão, um cão que não queria ser cão e era um cão como nós".
"Alguém falou da tristeza e do vazio do olhar dos animais.
Vi a tristeza, em certos momentos, no olhar do cão. A tristeza de quem quer chegar à palavra e não consegue. Mas não vi o vazio. O vazio está talvez nos nossos olhos. Quando por vezes nos perdemos dentro de nós mesmos. Ou quando buscamos um sentido e não achamos.
O cão sabia o sentido, o seu sentido. e nunca se perdia."
"Zanguei-me com toda a gente, não me deixes agora, é em momentos assim que um homem precisa do seu cão."
"Por vezes sentado sozinho na sala, apenas com o cão por companhia, pensava que, contrariamente ao que ele supunha, não eram precisas palavras para entendermos o essencial: que tudo é uma breve passagem e que não há outra eternidade senão a da solidão partilhada. Ou no amor, ou na camaradagem das grandes batalhas, ou no silêncio de uma sala entre um leitor e um cão."
"Também lhe falava de versos......Ele gostava. Não sei se do poema....Ou do ritmo, do som.......Mas creio que ele também gostava da música da poesia, da alquimia do verso, da litania e da celebração mágica que todo o poema é. Algo que os bichos talvez entendam melhor do que os especialistas de literatura."
Inquestionávelmente a melhor leitura apaixonada acerca da relação entre os cães e o homem...
Post scriptum - obrigado amiga pelas passagens que amavelmente me enviaste, e que eu tive também já a oportunidade de ler no livro ;)
Publicado por Antonio em março 28, 2004 12:26 PMobrigada pela sugestão. Valeu a pena.
Afixado por: the rat em março 28, 2004 09:12 PM