O coração dos homens é um livro onde se podem ler e escrever todas as histórias. E todos os outros livros só existem por referência a esse livro primeiro, e sem ele nada seriam. Sabem-no os leitores que nunca leram um livro, sabem-no os escritores que destruíram toda a sua obra, sabemo-lo afinal todos um pouco. A verdadeira literatura só existe no coração dos homens. E se alvitrarem que o coração é apenas um órgão muscular, o agente principal da circulação do sangue, saibam que estão no bom caminho. Continuem a ler e a escrever, mas façam-no com o coração
- Luís Ene, ENE Coisas
Só os verdadeiros escritores conseguem colocar as coisas desta forma muito especial....
Este tipo de vez em quando põe-me cá a pensar !
um abraço Luís ;)
Foi hoje lançado um novo livro sobre um tema sempre muito actual nos dias de hoje, infelizmente para todos...

Porque nos Matamos na Estrada ? e como o evitar
Luís Reto e Jorge de Sá, Editorial Notícias 2003
os autores propõem uma tipologia dos condutores portugueses e sugerem algumas medidas que facilitem o convencimento dos condutores para a alteração de comportamentos transgressores, aumentem o seu constrangimento por via do quadro regulamentar e melhorem os mecanismos de controlo necessários à interiorização e cumprimento das regras
São números preocupantes, aqueles das mortes nas estradas portuguesas nos dias de hoje, que merecem a relfexão por parte de todos nós, cidadãos automobilizados, em especial nesta altura do ano.
Como os autores do livro tiveram o cuidado de salientar no telejornal de hoje, o título do livro encontra-se no plural : "porque nos matamos" de modo a chamar a atenção para a responsabilidade que todos nós temos em procurar encontrar uma "Paz na estrada" nos dias de hoje em vez de colocar a imagem dos maus condutores apenas nos outros como vem sendo habitual, procurando assim justificar determinadas atitudes nossas na estrada...
A ciência parte dos factos, respeita-os até certo ponto e sempre retorna a eles. (...) procura descobrir os factos tais como são, independentemente do seu valor emocional ou comercial: não poetiza os factos. Em todos os campos, a ciência começa por estabelecer os factos: isto requer curiosidade impessoal, desconfiança pela opinião prevalecente e sensibilidade à novidade. (...)
Assim o desrespeito pelos factos, conforme anteriormente citado, surge como o resultado de novas aprendizagens ou de uma análise mais aprofundada dos assuntos que pode chegar no final à conclusão que os factos até então considerados verosímeis como tal não o são, havendo por isso a necessidade de os refutar para colocar novos factos no seu devido lugar (até prova em contrário, de novo!)
Mas por vezes a descoberta de novos factos passa pela necessidade de ter um elevado poder de abstração daqueles que fazem até então parte do senso comum de modo a poder descortinar novos factos :
O conhecimento científico transcende os factos: põe de lado os factos, produz factos novos e explica-os
um pouco em oposição aquilo que é o senso-comum que parte dos factos e atém-se a eles: amíude, limita-se ao facto isolado, sem ir muito longe no trabalho de o correlacionar com outros, ou de o explicar
Assim,
a investigação científica não se limita aos factos observados: os cientistas exprimem a realidade a fim de ir mais além das aparências; recusam o grosso dos factos percebidos, por serem um montão de acidentes, seleccionam os que julgam relevantes, controlam factos e, se possível, reproduzem-nos
No final,
o conhecimento científico racionaliza a experiência, em vez de se limitar a descrevê-la; a ciência dá conta dos factos, não os inventariando, mas explicando-os por meio de hipóteses (em particular, enunciados e leis) e sistemas de hipóteses (teorias).
Os cientistas conjecturam o que há por detrás dos factos observados e, em seguida, inventam conceitos (como os de átomo, campo, classe social, ou tendência histórica), que carecem de correlato empírico, isto é, que não correspondem a perceptos, ainda que presumivelmente se referem a coisas, qualidades ou relações existentes objectivamente. (...)
Creio que no final é necessário também ter os pés bem assentes na terra sem nunca perdermos de vista o nosso horizonte, i.e. sem deixarmos de saber muito bem a que é que nos propomos e quais são os objectivos que temos em mente apesar de mesmo estes estarem em constante mutação, como em qualquer outro modo de vida...
Creio ainda que a precepção de novos factos e a refutação dos factos até então existentes passa igualmente pelo respeito daquilo que faz até então parte do senso comum e pela necessidade de compreensão dos presupostos que levaram à sua criação e do contexto em que estes foram acolhidos, sem nunca perder a responsabilidade e o dever de investigar sobre eles de um modo livre.
M. BUNGE La ciencia, su método in Um outro olhar sobre o mundo, p. 215-217
Procuro encontrar explicações para o que atrás transcrevo e pareço encontrá-la aqui , apesar de ainda estar a meditar sobre ela ....
O autor citado lança um conjunto de elementos que caracterizam o conhecimento científico e o trabalho de investigação científica que merecem uma leitura mais atenta e aprofundada, transcrevo aqui apenas os tópicos principais tais como os retirei do site anterior...
O conhecimento científico é fáctico
A investigação científica é especializada
O conhecimento científico é claro e preciso
O conhecimento científico é comunicável
O conhecimento científico é verificável
A investigação científica é metódica
O conhecimento científico é sistemático
O conhecimento científico é geral
O conhecimento científico é legislador
A ciência é explicativa
O conhecimento científico é preditivo
A ciência é aberta: não reconhece barreiras a priori
M. Bunge: La Ciencia, su metodo In Um outro olhar sobre o mundo (p. 215-217)
Na primeira página de uma tese de Doutoramento:
"Nem sempre é possível, nem sequer desejável, respeitar inteiramente os factos quando se analisam, e não à Ciência sem análise, mesmo quando a análise é apenas um meio para a reconstrução final do todo"
M. Bunge
Um outro olhar sobre o mundo, 1998
... que esteve para ser reprovada!
Desabafos de um escritor que me ficam na memória...
Portugal é um país onde a crítica e o público só conhecem cinco ou seis autores literários, quase sempre os mesmos, o que, num mundo onde a literatura é cada vez mais ignorada, até não é de estranhar
Só tinha duas certezas: que se escreve escrevendo, e que o mais importante é ter uma história para contar, por mais simples que seja
- Luis N
Confesso que este me tem despertado a curiosidade para ler o seu livro
Já não será o primeiro que vou à procura, incitado através do que vou lendo por aqui pela blogosfera....
VIDA
Procuro mas não te encontro...
Onde andas tu ?
Fora ou dentro de mim
Onde te procuro ?
Vivo contigo mas tu não pareces ter
um lugar merecido, ou definitivo...
Onde andas tu ?
Para onde vais comigo....
ou serei eu que vou contigo
para um lugar onde eu não me encontro
Vida sem sentido.
Para ir pensando...
«Quando a gente pensa que sabe todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.»
- In Aviz
Por falar no Aviz, do Francisco José Viegas, vi ontem o programa dele na NTV desta vez dedicado aos blogues... é interessante ver em carne e osso as pessoas cujos textos acompanhamos no nosso dia-a-dia de "vagabundos" por esta realidade dos blogues, que devo confessar me tem viciado um pouco.
Apontamentos sobre o programa:
Gostei de ouvir o Pedro Mexia (Dicionário do Diabo) afirmar que não tem dúvidas em afirmar que hoje se escreve melhor em portugues nos blogs do que na maioria dos jornais, e de ouvir o Ricardo (gato Fedorento) admitir que tem muito maior cuidado quando escreve no seu blog do que quando escreve algo para as produções fictícias para transmitir no programa do Herman José onde se trata, segundo o próprio, de um humor "mais fácil". Não gostei assim muito da questão que ficou no ar "quantos dos blogues vão resistir às férias?", creio sinceramente que se estes forem encarados, como o faço, num acto de pura liberdade de escrita quando "muito me bem dá na telha" não fará sentido delinear um prazo ou de certa maneira obrigarmo-nos a ter um post por dia...
O Abruto do JPP, mantem-se assíduo nos seus posts, será que ele não tem férias !?
A este propósito ele mesmo deixa uma observação :
Interessante esta percepção de um afastamento do mundo pela recusa dos seus canais de comunicação como sendo "férias". Como se o trabalho fosse hoje apenas receber, estar imerso em comunicações, informações
Mais uma vez surpreende-me de forma brilhante com a proposta de um tratado sobre os telemóveis, confesso que nunca me tinha passado pela cabeça esta história do tratado, mas já me tenho encontrado a pensar se de facto os telemóveis, bem feito o saldo final, nos têm libertado ou, pelo contrário, nos aprisionado mais aquilo que é a parte mais aborrecida no nosso dia-a-dia.
Se fosse possível porventura colocar no nosso telemóvel um encaminhador de chamadas do género:
prima 1: para assuntos familiares
prima 2: para assuntos porfissionais
prima 3: para falar sobre as férias
prima 4: para me vir lixar o juízo sobre assuntos urgentes, chatos, inadiáveis...
para que lado tenderia o nosso saldo ? eu talvez fosse já capaz de adivinhar...
Confesso que não concordo muito com alguns dos direitos que este considera ameaçados: como o de não atender uma chamada ou o de simplesmente ter o telemóvel desligado, sobretudo este último que considero o maior deles todos, podemos sempre arranjar um desculpa bem prática nos dias de hoje do género "fiquei sem bateria" .. tb é engraçado como esta afirmação se tornou corriqueira nos dias de hoje...
Também não deixa de ser igualmente curioso o modo como os telemóveis hoje de certa maneira nos absorvem... de facto, creio que não conheço hoje ninguém que não tenha um telemóvel, tinha até algum tempo um amigo que se recusava a usá-lo apesar de já lhe terem ofericido uns 2, era bom conheçer alguem em quem podessemos acreditar e ter esperança que hoje é de facto possível viver sem eles, infelizmente, também ele socumbiu à onda depois de começar a trabalhar.... e lá perdi eu uma referência !
Para refletir nos dias de hoje...
um dos graves problemas nacionais (...) é o da falta de auto-estima que os portugueses têm.
Esta falta de auto-estima tem uma causa principal: tudo quanto existe, posso referir-me neste momento à paisagem, é, de facto, uma consequência do passado. E não havendo conhecimento desse passado, não se pode amar aquilo que não se conhece. Isto é fundamental.
(...) ficam apenas imagens sem essência. Daí que hoje as pessoas comecem a defender (...) as suas cidades, não como uma bela consequência e memória do passado mas como uma imagem publicitária duma moda sem futuro
Desleixámo-nos com aquilo que somos. E como não sabemos aquilo que somos, evidentemente não temos terra.
(...)hoje a independência de um país passa muito pela sua identidade cultural.
(...)o que é a cidadania? É vazia de emoção. O cidadão - ainda à moda da influência francesa - é um fulano com direitos e deveres. Escritos. Acontece o mesmo na relação com o Ambiente. Desapareceu de cena um factor extraordinário, assunto muito bem trabalhado pelo médico António Damásio, que é o problema da emoção. E esta questão, de tudo se resumir a direitos e deveres, retirou por completo o sentido emocional da solidariedade e da pátria. Só resiste num sítio...
[Onde?]
No futebol. As pessoas já só vibram, nacionalmente, com o futebol. É o que lhes resta...
- Arq. Gonçalo Ribeiro Teles In OniNet
Acredito que o que temos que encontrar nos locais não é o cenário, mas o espírito. É isso que está a ser destruído em Portugal.
(...) está tudo relacionado - o percurso, as pessoas, o movimento.
- Arq. Gonçalo Ribeiro Teles In DNa
"Posso resumir tudo o que aprendi sobre a vida em duas palavras: ela termina."
(Robert Frost)
Creio que a vida é uma longa caminhada que se percorre por etapas cada uma com um fim próprio, nem sempre muito perceptível, que surge com o início de uma nova etapa.
Não me parece que seja possível resumi-la em apenas 2 palavras, mas estou certo que ela tem um fim, que tudo termina, talvez para recomeçar uma outra etapa.
Poderá haver no final uma única certeza : "Ela termina" por isso à que agarrá-la em cada dia como se este fosse único, saboreá-la, amá-la de modo a que quando chegar o fim possamos dizer que a vivemos...
Por isso, eu vou "de férias" !
Carpe diem
Leio um artigo publicado no último número do New York Times, intitulado:
"Is Organic Food Provably Better?"
Este levanta o véu sobre a tensão existente entre dois grandes grupos: aqueles que defendem um modo de produção agrícola convencional (habitualmente mais rentável se não forem tidos em consideração os seus custos ambientais) e aqueles que defendem o modo de produção biológico (com um maior respeito sobre o ambiente de entre o cumprimento obrigatório de um conjunto de normas)...
Aqui os primeiros procuram descredibilizar os estudos efectuados em torno da qualidade dos alimentos biológicos, suportando-se na enorme discrepância observada entre os resultados apontados por cada estudo, e os segundos baseiam-se nos mesmos para defender a qualidade dos produtos finais obtidos no respeito pelo ambiente e pelo cumprimento de normas estabelecidas.
In 2001, the Soil Association of England, which sets organic standards, asked Shane Heaton, a nutritionist, to analyze available studies on nutrient differences between organically and conventionally grown food.
He looked at 99 studies and discarded 70 because, he said, they examined growers who did not use certified organic practices, did not make relevant comparisons or were of insufficient duration.
He found that in 14 studies of minerals, 7 showed a "trend toward mineral contents" in organic foods, while 6 showed inconclusive or inconsistent results and 1 showed a higher mineral content for nonorganics. For vitamin C, 7 of 13 studies showed significantly higher levels in organics; they ranged from 6 percent to 100 percent. Six of the studies showed inconsistent or insignificant differences.
Podemos ver que no que diz respeito à riqueza nutritiva, 50% dos estudos mostravam resultados favoráveis aos métodos de produção biológica enquanto a outra metade se mostrava inconclusiva. No que diz respeito à riqueza em Vitamina C, podemos ver que embora uma ligeira maioria tenha demonstrado que o método de produção biológica era mais favorável o aumento traduzido pela sua introdução poderia variar entre os 6 e os 100% sendo por isso tb um pouco inconclusivo quanto aos seus resultados...
Mas o mesmo artigo deixa mais pistas, para esta discussão...
A study in the January 2003 Journal of Agricultural and Food Chemistry found 52 percent more ascorbic acid, or vitamin C, in frozen organic corn than in conventional corn, and 67 percent more in corn raised by sustainable methods ? a combination of organic and conventional farming.
[i.e., este foi superior (+15%) numa prática associada àquilo que é a nossa "produção integrada"]
A three-year study in Italy, reported in the August 2002 issue of the same journal, found higher levels of polyphenols in organic peaches and pears, and about 8 percent more ascorbic acid in organic peaches.
And a study in the February 2002 European Journal of Nutrition found more salicylic acid in organic vegetable soup than in nonorganic soup. Salicylic acid is responsible for the anti-inflammatory properties of aspirin, and bolsters the immune system
E a propósito da questão da riqueza em compostos polifenólicos :
while scientists emphasize the importance of polyphenols and other antioxidants, particularly because they might help fight cancer, Mr. Avery said: "No one has a clue how much phenolics anyone needs to consume. Anyone who claims nutritional benefits from higher or lower phenolics doesn't understand."
Por sua vez em relação ao teor em Vitamina C:
The higher levels of vitamin C, Mr. Reganold said, are "biologically significant."
No final, enquanto alguns investigadores defendem que os resultados obtidos "are consistent with studies coming out now on nutrients, phytochemicals and pesticides." outros chegam à conclusão que because there is so much variation in the soil, the amount of sun and rainfall, "It is difficult to compare findings of different studies."
Terminando com as duas faces da mesma moeda voltadas de costas entre si:
Organic foods, Mr. Avery said, "are clearly no safer, no more nutritious, no more healthful ? there are zero advantages for consumers."
Dr. Nestle said, "I don't think there is any question that as more research is done, it is going to become increasingly apparent that organic food is healthier."
Pessoalmente creio que, como ficou demonstrado, os resultados não são sempre muito conclusivos e ainda não parecem haver padrões muito bem definidos para poder avaliar se as diferenças encontradas podem ou não ter um impacto claro em termos biológicos no organismo do consumidor. No entanto, a minha formação diz-me que não podemos ser demasiado intransigentes na defesa de uma ou de outra prática de agricultura, sou apologista de uma prática de agricultura sustentável, já muito afastada daquele tipo de agricultura que surge no pós-guerra e com a revolução industrial onde a única regra de ouro era, simplesmente, produzir ao máximo de modo a assegurar a alimentação de milhões de habitantes e a restablecer os níveis de produtos alimentares disponíveis para a população...
Hoje os métodos que estão a conquistar as mentalidades dos empresários agrícolas e dos técnicos e a ser postos em prática nas explorações são aqueles conhecidos por "Protecção Integrada" e, mais recentemente, por "Produção Integrada" que dão prioridade à produção de alimentos de elevada qualidade através da utilização de métodos de produção com um menor impacto eco-toxicológico, minimizando o uso de agro-químicos com efeitos secundários de modo a salvaguardar o ambiente e a saúde humana. Estes surgem cada vez mais por pressão dos consumidores e são transmitidos aos produtores através das exigências postas no seu cumprimento pelas grandes superfícies comerciais (importantes clientes) nos seus contratos de fornecimento.
Creio que deverá manter-se o incentivo ao estudo e investigação em torno da qualidade alimentar e em relação ao impacto que as diferentes técnicas e meios de produção podem ter nessa mesma noção. Certo de que os consumidores estarão cada vez mais atentos a esta realidade e os mass-media cada vez mais concentrados em procurar colocar na praça pública qualquer incumprimento nas suas práticas ou novas descobertas quanto ao impacto que algumas párticas podem ter na qualidade.
No entanto, os consumidores têm que estar atentos ao facto de que tudo tem o seu preço e não podemos ser utópicos... a agricultura é uma actividade económica e como tal tem por objectivo maximizar o seu lucro de modo a poder assegurar uma qualidade de vida aos empresários, famílias e trabalhadores de que dela dependem e a ela tem direito. Não podemos procurar impor aos agricultores novas práticas agrícolas que obrigam a um know-how e/ou a um custo de produção mais elevado sem aceitar as contrapartidas que podem surgir através do preço a pagar pelos bens consumidos ou pela implementação de políticas que assegurem, no mínimo, uma equidade de direitos em relação àqueles que adoptem outras práticas, nomeadamente aquele que diz respeito ao rendimento dos agricultores.
As medidas tomadas na nova PAC e a crescente adesão dos consumidores aos produtos obtidos através de novos meios de produção são bons indicadores que estimulam ainda mais agricultores a alterarem as suas práticas, mas não bastam, estou certo que é necessaria uma maior promoção/ divulgação destas técnicas junto dos produtores e consumidores, o seu alargamento e consolidação a novas culturas, a sua fiscalização e acima de tudo uma maior informação dos consumidores acerca dos benefícios que pode trazer a sua compra e o seu consumo de modo a que eles possam assim estar perfeitamente conscientes do valor acrescentado que acarreta o consumo destes bens .
No final, temos todos que ter consciencia que a agricultura é um sector bem vivo da actividade empresarial em portugal, tem sofrido muitas alterações ao longo das últimas décadas e tem-se adaptado com maior ou menor dificuldade aos desafios e exigencias que futuro lhe vai colocando a cada momento e tem sabido aceitá-los e ultrapassá-los, apesar das grandes dificuldades sócio-estruturais que a afectam, e que não existem uma mas várias "agriculturas" que podem ser entendidas como diferentes técnicas ou meios de produção, diferentes culturas ou diferentes enquadramentos locais ou regionais...
P.S: A propósito irá decorrer de 18 a 20 de Julho, no Mercado Ferreira Borges, a "V Feira de Agricultura Biológica e Qualidade de Vida" no Porto ... espero ir lá dar um pulo para ir tomar de novo o pulso à crecente vitalidade deste sector na nossa agricultura.
É curioso como a leitura de um artigo num jornal e um folha em branco (que o weblog nos oferece) me pode despertar tanto para escrever e ainda deixar tanto por dizer....
À Joana (que também existe dentro de cada um de nós),
"O homem é do tamanho do seu sonho."
(Fernando Pessoa)
"Eles não sabem que o sonho
e' uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
(...)
Eles não sabem que o sonho
e' vinho, e' espuma, e' fermento,
bichinho a'lacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpetuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
e' tela, e' cor, e' pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pina'culo de catedral,
contraponto, sinfonia,
mascara grega, magia,
que e' retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que e' Cabo da Boa Esperanca,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de danca,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
para-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do atomo, radar,
ultra-som, televisao,
desembarque em foguetão
na superficie lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos duma criança"
- Pedra Filosofal, António Gedeão
Que cada um de nos não perca a ambição de continuar sonhando num mundo cada vez mais pobre na esperança de que dias melhores virão para todos...
Um estudo recente publicado na Nature chegou à conclusão que tal como os criminosos os investigadores atingem a sua performance máxima aos 30 anos, decrescendo em seguida....
Psychologist Satoshi Kanazawa of the London School of Economics and Political Science examined the lives of 280 eminent scientists, including Pierre Curie and Albert Einstein. He found that 65% had published their best paper by the age of 35. What's more, unmarried scientists peaked later in life than those who had tied the knot(...)
(...)Picking locks and publishing papers are ways of catching the female eye(...)
Muito curiosa esta questão do casamento...
Não deixa de ser interessante o facto apontado de que aqueles que são solteiros atingem mais tarde esse "pico".... de facto, não encontro muitos investigadores solteiros, creio muito embora que esta situação tenderá a alterar-se nestas últimas gerações de investigadores dada a insegurança crescente que esta actividade oferece nos dias de hoje (uma bolsa para isto hoje, para aquilo amanhã e depois !?) e a dificuldade crescente em encontrar um "poiso" numa universiade ou centro de investigação como muitos dos "galos de capoeira" foram capazes de encontrar já lá vão alguns anos...
Mas é precisamente nesta procura pelo "poiso" que se torna cada vez mais preemente publicar, é hoje essa a grande máxima: "publicar, publicar, publicar", numa visão claramente apreendida no "novo mundo" onde o investimento na investigação já desde á muito tempo é visto como estratégico, mas onde a constante luta por um paper esqueçe, por vezes, de alguma fundamentação dos resultados ...
e, assim, estes terão sempre tendencia a surgir cada vez mais cedo no percurso de investigador.
No entanto,
Hoje um trabalho de investigação sério onde estejam envolvidas várias pessoas é absorvente, requer uma grande dedicação e paciência para se ultrapassar as dúvidas e pequenos problemas que vão surgindo levando-nos, por vezes, a por de lado outras coisas e no final a questionarmo-nos ...
"O que é que nós andamos aqui mesmo à procura (na vida) ?", quando nem sempre vemos reconhecido o interesse e a dedicação que pomos naquilo que fazemos...
(Coisas de um país onde a investigação é vista como um mundo muito interessante, mas à parte, onde os problemas do dia-a-dia, estruturais na sua maioria, continuam a ser demasiado preementes para desviar a atenção para uma leitura mais ambiciosa para o futuro por parte dos gestores da maior parte das empresas)
No final, os autores do artigo salvaguardam que...
(...)the reality of lab life today is more complex than publication lists suggest. As scientists get older, they spend more time leading research facilities, writing grants and supervising students. So personal productivity may make way for collaborative endeavour.
De facto, na investigação, como noutros sectores do nosso tecido sócio-profissional, a idade é um posto, embora este não sirva como um entrave à realização de um trabalho sério de investigação este serve normalmente de um amplo "guarda-chuva" do coordenador que tem basicamente o papel de dar o nome e arranjar os financiamentos, numa área onde o "nome" tem uma forte influencia... nada mau e mais natural, enquanto se é caloiro nestas coisas da investigação,... o problema surge quando já se adquiriu o know-how e se procura conquistar uma posição que na maior parte das vezes surge por ruptura com aquela do que era então o nosso "guarda-chuva", dado o claro interesse que este pode ter em manter a sua posição, o problema surge percisamente em preencher essa posição efectiva num sector onde os "galos de capoeira" estão muito mais interessados em arranjar sempre novos "pintos" que lhes vão assegurando o crescente aumento do seu curriculum vitae já per si bem constituído...
É claro que aqui aquele que realiza o trabalho "propriamente dito", também benificia do status-quo, à partida deve conseguir arranjar uma bolsa (até nem são assim tão más no dias de hoje) que o remunera pelo trabalho que está a desenvolver, beneficia do know-how do seu corrdenador, que começa por ser muito superior ao seu na matéria específica que desenvolve,...
o problema surge, como já me referi aqui, no momento em que se começa a ambicionar pelo seu espaço próprio....
Coisas da investigação que afinal não são assim tão diferentes do "outro" mundo real...
P.S: já andava com vontade de escrever qq sobre isto...
Já me referi aqui ao interesse que me mercem os photoblogs na minha leitura diária dos weblogs que considero de referência ...
Considero que a imagem tem o enorme poder de nos transportar para outras sensações que não têm necessáriamente que estar lá presentes
Hoje acrescento mais um à minha lista de referência, o do Bruno Espadana, [um fotógrafo profissional] interessado por coisas do dia-a-dia e retratos (segundo me parece).
Obrigado Bruno !
À Joana,
"Todo o vosso corpo, desde a ponta de uma asa até à ponta de outra asa - costumava dizer Fernão -, não é mais do que o vosso próprio pensamento, uma forma que podem ver. Quebrem as correntes do pensamento e conseguirão quebrar as correntes do corpo"
"...tu tens a liberdade de ser tu próprio, o teu verdadeiro eu, Aqui e Agora; nada se pode interpor no teu caminho"
- In Fernão Capelo Gaivota, Richard Bach
Esta deverá ser a nossa busca permanente ...
Eu continuo a lutar por ela, mas também nem sempre consigo lá chegar.
Confesso que também depende muito da força das nossas convicções perante determinadas atitudes na vida...
Não resisto em colocar aqui um tira do Dilbert que vi no weblog de um amigo

Esta retrata de uma forma brilhante - como só Dilbert consegue - uma realidade do meio empresarial que é a de procurar chaves para o sucesso através de "palavras mágicas" (buzzwords) que são normalmente transmitidas aos seus funcionários pelas hierarquias superiores de modo a estimulá-los na persecução de determinados objectivos ou a facilitar a transmissão de determinadas mensagens que se pretendem incutir.
Acontece porém que a transformação na "mecânica empresarial" e os resultados não surgem "por magia" e o sucesso alcança-se através de uma rede complexa de factores onde surge muitas vezes, dependendo do contexto em que cada um se insere, a abertura à criatividade sem mensagens ou buzzwords PréConcebidas....
Nas TIC como em vários outros sectores da nossa economia

Pode ser que o mundo dê muitas voltas mas esta será no final, juntamente com o amor, a única coisa verdadeiramente importante que nos resta.
A Isabel, no seu Monólogo, a propósito da "distancia interpessoal", refere um estudo feito por um antropólogo (Hall, 1974) que classifica assim a natureza das relações interpessoais, em função das distância entre os indivíduos:
- Íntima: até 0.5m
- Pessoal: de 0.5 a 1.5m
- Social: de 1.5 a 3 m
- Pública: acima de 3m
Questiono-me...
1. Eu devo ter tido uma relação íntima com muitas pessoas ao longo das minhas viagens em transportes públicos tipo "enlatados"
2. Será que eu deixo de ter uma relação íntima ou pessoal com as pessoas que amo se porventura estiver a uma distância de 2m delas e a 1.80m !?
(...)
Julgo que tentamos, por vezes, materializar ou encontrar um valor mensurável para muitas das coisas que nos rodeiam e nos afectam, embora para muitas delas isso não faça qualquer sentido porque elas simplesmente existem e estão presentes no nosso interior...
Há coisas que caem no ridículo...
"O mais importante na vida não é saber onde estás,
mas sim para onde vais "
- Goethe
Boa Caminhada....
"Ao menino e ao boralho,
põe Deus a mão por baixo"
A propósito do pequeno milagre que ouvi hoje na televisão, em que dos 116 passageiros que viajavam num avião que caiu se salvou ainda um menino de 3 anos...
Felizmente neste mundo onde assistimos diariamente a tanta dor e sofrimento ainda vão sugindo pequenos milagres...
Hoje introduzi uma novidade no meu blog...
uma janela do lado direito onde vou introduzindo pequenos pensamentos, ideias ou actos que vão fazendo parte, para mim, dos pequenos prazeres da vida.
Só para não me ir esqueçendo !
P.S. - Ao Paulo, do weblog.com.pt, o meu muito obrigado pela seu excelente apoio a quem adere, como eu, a este weblog e à sua pachorra para nos aturar estas pequenas ideias...
As minhas novas descobertas musicais levam-me para um disco arrumado aqui em casa a um canto pelo meu pai que o descobriu algures através de uma boa crítica musical, talvez no Público,....
"Música na corte de D. João V" - Cantatas humanas a solo e a duo
interpretadas por Ana Ferraz e Alexandra do Ó
Este transporta-me para um ambiente diferente... algo medieval...
suave, repousante, "uplifting" (termo para o qual não encontro grande tradução)...
Bom para se ir ouvindo aqui ao lado enquanto se trabalha ou lê um bom livro !
Se de noite chorares por teres perdido o sol, as lágrimas não te deixarão ver as estrelas.
(R. Tagore)
- In Pensamentos
Como é fácil perdermos os bons momentos da vida "chorando lágrimas"...
Carpe diem
A propósito da escolaridade obrigatória vir passar a ser até ao 12º ano leio alguns dados lançados pelo João Barreiros na sua coluna no Expresso :
De acordo com os últimos dados disponíveis, 45% dos jovens entre os 18 e os 24 anos não tinham concluído o ensino secundário e não se encontravam a frequentar a escola, em 2001. A média da União Europeia é de apenas 19%.- In Expresso Emprego
Ponho-me a pensar nisto e a conjecturar um pouco acerca de possíveis explicações:
1. um grande número de jovens não encontra na escola o tipo de conhecimentos que lhe parecem necessários para aquilo que ele ambiciona no seu mercado de trabalho (o pai é mestre de obras ou serralheiro, não ambiciona mais para os seus filhos, e pretende manter o legado familiar...)
2. o seu agregado familiar não tem as disponibilidades financeiras para apoiar a continuidade dos seus estudos e depende do rendimento de mais um para "ganhar o pão" do dia-a-dia (não deveria o estado aqui intervir mais um pouco até à nova escolaridade obrigatória)
3. o jovem no ambiente onde está inserido, ou na sua mente, não encontra as motivações necessárias para continuar os estudos (talvez um dos factores mais importantes na sociedade actual para além da falta ou não de dinheiro)
4. os jovens na sua cabeça começam a ter uma imagem, cada vez mais actual, acerca daqueles que investiram nos estudos e estão exactamente na mesma posição daqueles que o não fizeram (ouvia à uns dias um amigo dizer-me que conhecia outro licenciado que tinha afirmado possuir apenas o 12º ano para conseguir arranjar um simples emprego num concurso)
Serão certamente várias as explicações possíveis para estes dados, e também serão sempre muito mais complexas do que meras especulações acerca do assunto. No final fica-me apenas a certeza de que não será por decretar um novo limite para o ano de escolaridade obrigatória que se altera esta dura realidade...
Será possível econtrar um sistema de ensino perfeitamente adapatado às realidades de um mercado de trabalho em constante mutação no dia-a-dia ?
Quem define aquilo que são as "ferramentas" essenciais para o mercado de trabalho que são necessárias adquirir no ensino ? Estarão essas actuais ?
Será que o ensino é uma verdadeira "escola para a vida", ou esta é algo que se aprende apenas na vivência do terreno, onde esta surge de um modo duro e frio tantas vezes ?
Há que encontrar as respostas.... Urgentemente !
Pareceu-me muito interessante a abordagem que li acerca da questão do "exito" e das problemáticas que esta envolve bem como do seu significado :
O êxito (...) depende da harmonia possível entre motivações pessoais e factores circunstanciais. Etimologicamente, esta palavra remete para acção de "sair de algum sítio". Semelhante à representação semântica - de trânsito de lugar - surge da palavra inglesa success (procedente do latim e que significa "penetrar num lugar"), ideia de trajectória que também nos é dada pelo termo francês réussite que significa, literalmente, sair.
Quando um jovem acalenta o desejo (...) o desejo transforma-se em desafio e uma vez desperto, a plena consciencia da incerteza transforma-se na plena consciência de uma aposta.
O exito da aposta depende do sucesso pessoal, e este das conjunturas de vida e das estruturas que as determinam.
- In Ganchos, Tachos e Biscates...
Curioso é também o facto de numa breve consulta do dicionário da Verbo ser possível encontrar uma definição que sendo muito mais redutora na sua explicação se refere muito mais ao fim em si do que ao "transito num lugar" que julgo ser muito mais interessante,
ÊXITO, nm Resultado auspicioso; consequência; efeito; fim; saída; voga.
Leio "Um tacho na política?", um dos case-studies que constam do trabalho do Prof. José Machado Pais.
O autor tece neste cápítulo, com base numa entrevista a um jovem de boas ralações que ambiciona um tacho na política, alguns comentários e considerações críticas enquadrando-as num estudo sociológico utilizando alguns dos seus conceitos...
"Encerramento social" conceito usado por Weber para definir o processo mediante o qual se procura que determinadas actividades sociais busquem ampliar ao máximo as suas recompensas, limitando as oportunidades a um número restrito de priveligiados.
Dentro deste conceito, segundo o autor, a luta por um tacho político enquadra-se no "tipo racional" de acção social que se caracteriza por uma actuação consciente e racionalmente orientada para determinado fim ou interesse : o tacho
De onde resulta que, mesmo dentro de uma conjuntura favorável, os tachos não são para todos os que os desejam ter, i.e., apenas se encontram disponíveis para um número reduzido de privilegiados, a expensas de outros grupos.
O êxito consiste em se ter êxito e não apenas em reunir as condições de êxito. Deixando-se à conjuntura o efeito de abertura ou encerramento de oportunidades
Acerca do mito do "seio materno" vulgarizado na sabedoria popular que o enquadra nos tachos políticos como "andar à mama" , o autor lembra que se desenganem aqueles que pensam bastar abrir a boca e, como por magia, lá aparecer o seio a escorrer o leitinho. Na política como em outros domínios da vida, o êxito aparece muitas vezes, como uma deusa prostituída, assentando num individualismo competitivo, agressivo, por vezes maquiavélico.
E lá continua dizendo que o fio da intriga política é uma trama complicada; quem se fia muito nela pode tramar-se, ou ver-se tramado pelos mais espertos
Numa análise muito crítica acerca deste sector da nossa sociedade, o autor, aproveitando as declarações onde um jovem fala das suas ambições em entrar neste meio, tece num tom algo irónico, uma caracterização daquilo que pode ser a realidade que hoje é necessária enfrentar para conseguir entrar num meio onde, à partida, o "encerramento social" é enorme. Estou certo que para o autor o meio da política surge como um bom exemplo de uma realidade muito mais vasta em determinadas esferas.
Para começar, tive a maior curiosidade em entrar por esta parte do livro...
Estou já a gostar bastante de o ler !
Comprei um livro !
Algo que também já não fazia à algum tempo...
com esta história frequente da mediatização de uma grande parte da informação que nos rodeia creio que se presta por vezes menos atenção aos livros e mais atenção aos pequenos resumos ou ideias destacadas de um todo que não se completa numa pequena parte isolada.
Mas por vezes, de algum modo, esta mediatização promove também a leitura ao deixar o interesse em saber mais um pouco ou ao chamar a atenção para a sua existência. Assim, acabei por comprar o "Ganchos, tachos e biscates: Jovens, trabalho e futuro" do José Machado Pais, um livro que me pareceu barato (11 ?) para o volume de trabalho e estudo contido nas suas 400 páginas. Isto para quem diz que os livros ainda estão muito caros (o que tb pode ser verdade para alguns que têm quase só uma capa muito bonita e um nome sugestivo)...
Pela vista de olhos que já dei parece-me muito interessante pois reúne entrevistas e uma análise sociológica das mesmas, com uma certa ironia e algum toque muito pessoal próprio do autor. Aproveito para agradecer ao Sócio[B]logue e outros blogs pelas sugestões dadas para a sua leitura, é evidente que estes são também um meio de promoção da nossa cultura...
Espero ir tomando aqui as minhas notas.... acho que vou andar uns tempos entretido com a sua leitura !
Ouço Jack Johnson, "On and On", uma nova descoberta nas minhas lides musicais, gosto da simplicidade das letras e da viola a marcar o ritmo num tom soft, simples, limpo de artificialismos, mas sem deixar de ser brilhante...
Ouço e volto a ouvir, várias vezes, a faixa que abre o disco:
Times Like These
in times like these
in times like those
what will be will be
and so it goes
and it always goes on and on
and on and on it goes
and theres always been laughing, crying, birth, and dying
boys and girls with hearts that take and give and break
and heal and grow and recreate and raise and nurture
but then hurt from time to times like these
and times like those
what will be will be
and so it goes
and there will always be stop and go and fast and slow
action, reaction, sticks and stones and broken bones
those for peace and those for war
and god bless these ones not those ones
but these ones made times like these
and times like those
what will be will be
and so it goes
and it always goes on and on
and on and on it goes
but somehow i know it wont be the same
somehow i know itll never be the same
Há aqui qualquer coisa que me atrai para além do ritmo da melodia...
Nem sempre é fácil encontrar isto hoje.... um disco que vale a pena ser ouvido On&On !
O Socio[B]logue já faz parte da minha leitura regular, gosto dele, sobretudo pela análise da realidade feita pelos olhos de um estudante de sociologia brilhante...
Hoje incide sobre um tema muito actual no dias de hoje : " A gestão da impressão" ou da imagem como se costuma dizer por aí, creio que se começou a utilizar o marketing para vender sabonetes, ou o que quer que seja, e hoje aplicam-se estes conceitos para "vender" a própria imagem de um indivíduo procurando com ela causar boa impressão...
Talvez o termo marketing seja demasiado, mas certamente trata-se por vezes de "vender" a imagem, procurar convençer o outro do nosso valor, numa sociedade onde quem o souber fazer melhor consegue chegar primeiro, mesmo que por vezes esteja a vender "gato por lebre".
De acordo com o João Nogueira referimo-nos a um conceito já abordado na sociologia que se denomina :
«gestão de impressão»:
conceito desenvolvido por Erving Goffman (1993) para se referir aos esforços das pessoas para gerirem a imagem que os outros têm de si, por meio do controlo das impressões que projectam no(s) outro(s).
A premissa fundamental desta noção é, como sugere o psicólogo social Barry Schlenker, a de que ?conscientemente ou inconscientemente, as pessoas tentam controlar as imagens que projectam para as audiências, reais ou imaginadas? (Schlenker, 1980: 304)
Daqui passa para uma outra realidade, que é esta dos blogs onde o mesmo tabém se pode aplicar, segundo ele, sobre dois aspectos fundamentais:
«a ansiedade do feedback» e do receio de «faux pas».
Sendo que o primeiro se refere segundo o autor ao facto das pessoas mostrarem alguma ansiedade, por vezes obsessiva, com o feedback que recebem dos outros que se revê no facto de não encontrar-mos, como ele, blogues sem mecanismos de «feedback» ou «interacção»: os contadores, os sistemas de comentários, os endereços de correio electrónico, os message boards, etc. [acho que é mesmo aqui onde reside uma das principais características favoráveis dos blogs, que é a capacidade de nos colocar abertos a opiniões diversas, contrárias ou não, e a outros pontos de vista] e o autor aqui lança mesmo um desafio para um estudo sociológico nesta matéria "Seria interessante poder analisar quantas vezes por dia é que os bloggers verificam as suas caixas de correio, comentários, contadores ou message boards, etc.", não deixa de ser engraçado chamar a atenção para este aspecto por vezes quase instintivo ...
Finalmente, o receio de «faux pas» reporta-se a um temor face à possibilidade de projectar uma imagem de inconsistência e incongruência (receio de cometer gaffes, de denunciar falta de cultura, etc.) que coloque a própria pessoa em causa, certamente algo natural num meio onde se expõe tanto as pessoas embora que no seu meio anonimato.
Como o próprio termina a salientar
Estes aspectos não são, evidentemente, exclusivos do mundo dos blogues (...) habitualmente associados às relações interpessoais e à interacção (...)
O que parece estar a tornar-se característico da blogosfera é a sua amplificação (...) tão interessante, de um ponto de vista sociológico, como preocupante. .