maio 30, 2005

Poeta

Poeta: uma criança em face do papel.

Poema: os jogos inocentes,

invenções de menino aborrecido e só.

A pena joga com palavras ocas,

atira-as ao ar a ver se ganha o jogo;

os dados caem: são o poema. Ganhou.

"Poeta" - Adolfo Casais Monteiro

Publicado por Antonio em 10:31 AM | Comentários (0)

choro

Eu falo das casas e dos homens,
dos vivos e dos mortos:
do que passa e não volta nunca mais.. .
Não me venham dizer que estava materialmente
previsto
,
ah, não me venham com teorias!
Eu vejo a desolação e a fome,
as angústias sem nome,
os pavores marcados para sempre nas faces trágicas
das vítimas.

E sei que vejo, sei que imagino apenas uma ínfima,
uma insignificante parcela da tragédia.
Eu, se visse, não acreditava.
Se visse, dava em louco ou em profeta,
dava em chefe de bandidos, em salteador de estrada,
- mas não acreditava!

Olho os homens, as casas e os bichos.
Olho num pasmo sem limites,
e fico sem palavras,
na dor de serem homens que fizeram tudo isto:
esta pasta ensanguentada a que reduziram a terra inteira,
esta lama de sangue e alma,
de coisa a ser,
e pergunto numa angústia se ainda haverá alguma esperança,
se o ódio sequer servirá para alguma coisa...

Deixai-me chorar - e chorai!
As lágrimas lavarão ao menos a vergonha de estarmos vivos,
de termos sancionado com o nosso silêncio o crime feito instituição,
e enquanto chorarmos talvez julguemos nosso o drama,
por momentos será nosso um pouco do sofrimento alheio,
por um segundo seremos os mortos e os torturados,
os aleijados para toda a vida, os loucos e os encarcerados,
seremos a terra podre de tanto cadáver,
seremos o sangue das árvores,
o ventre doloroso das casas saqueadas,
sim, por um momento seremos a dor de tudo isto. . .

Eu não sei porque me caem as lágrimas,
porque tremo e que arrepio corre dentro de mim,
eu que não tenho parentes nem amigos na guerra,
eu que sou estrangeiro diante de tudo isto,
eu que estou na minha casa sossegada,
eu que não tenho guerra à porta,
- eu porque tremo e soluço?
Quem chora em mim, dizei - quem chora em nós?

Tudo aqui vai como um rio farto de conhecer os seus meandros:
as ruas são ruas com gente e automóveis,
não há sereias a gritar pavores irreprimíveis,
e a miséria é a mesma miséria que já havia...
E se tudo é igual aos dias antigos,
apesar da Europa à nossa volta, exangue e mártir,
eu pergunto se não estaremos a sonhar que somos gente,
sem irmãos nem consciência, aqui enterrados vivos,
sem nada senão lágrimas que vêm tarde, e uma noite à volta,
uma noite em que nunca chega o alvor da madrugada...


"Europa" - Adolfo Casais Monteiro

Publicado por Antonio em 10:29 AM | Comentários (0)

maio 29, 2005

Palavras

Palavra... palavra de honra que haverá por aí
algures
um poema de palavras encantadas
para te contar
ao ouvido
aquilo que por vulgares palavras nunca te disse

Palavra... palavra de honra que haverei sempre de encontrar
por aí
uma letra de uma música encantada
com as palavras ritmadas
que te despertam a emoção no teu coração

Palavra que por palavras já vi
por aí escrito e dito
as mais poderosas drogas da humanidade
e as mais belas histórias de amor

Palavra que nas palavras nunca vi
a beleza de um sorriso
a docura de um beijo
a força de um abraço
sentidos.

Deus agracie aquelas(es) que com o seu dom
nos encantam
com as palavras.

Publicado por Antonio em 12:22 PM | Comentários (1)

Europa

"Não advogo frequentes mudanças nas leis e nas constituições, muito embora as leis e as instituições devam acompanhar de perto os progressos da mente humana. Quando esta se desenvolve, se ilumina, quando se fazem novas descobertas e se descobrem novas verdades, quando se alteram os costumes e as opiniões e mudam as circunstâncias, as instituições devem também avançar para se manterem ao ritmo dos tempos. Pedir a uma sociedade civilizada que continue eternamente sob o regime dos seus antepassados seria o mesmo que pedir a um homem que continue a usar o casaco que lhe servia quando era rapaz" - Thomas Jefferson

In Exposição de Motivos, Relatório sobre o Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa, Parlamento Europeu 2004 (A6-0070/2004 FINAL)

Publicado por Antonio em 10:24 AM | Comentários (0)

maio 13, 2005

Um sorriso

No outro dia assinalou-se o dia do AVC e da doença Lupus.

O AVC mata diariamente milhares de portugueses e é mesmo uma das principais causas de morte no nosso país.

O Lupus é uma doença desconhecida por muitos, uma doença degenerativa, sem cura e fatal....

Num telejornal no meio de tantas desgraças que merecem, como é habitual, grande destaque no prime-time das nossas tv's (não vá a gente esqueçer-se delas ! como se isso fosse possível...) entrevistavam uma criança já em cadeira de rodas e com dificuldades sérias brincando com a sua família...

A minha primeira atenção foi obviamente para o sofrimento que estas devem sentir, para o horror que deve ser uma doença deste tipo para a qual ficamos praticamente impotentes.

Mas não foi isso que me surpreendeu...

Quando a jornalista fazia uma questão à criança com Lupus esta respondeu ...
"Não me falta praticamente nada ! Sou feliz... apenas esta cadeira é uma chatiçe..." com um enorme SORRISO.

Isto sim abalou-me!

Quantas vezes, e não poucas, temos na nossa vida diária motivos para nos lamentar-mos, dizer q isto vai mal e encontra-mos defeitos em tudo e em todos, e pormos o nosso sorriso de parte...
Quantas vezes, e não são poucas, temos tanta dificuldade em sorrir perante as barreiras e motivos que a vida nos vai pondo pela frente...

E, no entanto, é sempre possível pintar um sorriso, cuidar dele, olhar a vida de um modo positivo e com esperança no futuro.

Muitas vezes digo a pessoas amigas para "cuidar do sorriso", como se eu não soubesse como isso se aparenta cada vez mais dificil nos dias de hoje (fazendo bluff), no entanto é nesses momentos difícies que eu vou buscar força a meninas como esta que me deram uma grande lição mm sem saberem.

Cuidem do vosso sorriso!

Publicado por Antonio em 11:45 PM | Comentários (3)

maio 04, 2005

O que realmente importa

Café e maionese
Um professor diante da sua turma de filosofia, sem dizer uma palavra pegou num frasco grande e vazio de maionese e começou a enchê-lo com bolas de golfe.
A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio.
Todos estiveram de acordo em dizer que "sim".
O professor tomou então uma caixa de fósforos e a vazou dentro do frasco de maionese. Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe.
O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a responder que "Sim".
Logo, o professor pegou uma caixa de areia e a vazou dentro do frasco. Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o prof.
Questionou novamente se o frasco estava cheio. Os alunos responderam-lhe com um Sim" retumbante.
O professor em seguida adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frasco e preencheu todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes riram-se nesta ocasião.
Quando os risos terminaram, o professor comentou:
"Quero que percebam que este frasco e a vida. As bolas de golfe são as coisas importantes, como Deus, a família, os filhos, a saúde, os amigos, as coisas que te apaixonam. São coisas que mesmo que perdêsses tudo o resto, a nossa vida ainda estaria cheia.
Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, o carro etc.
A areia é tudo o resto, as pequenas coisas. Se primeiro colocamos a areia no frasco, não haverá espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe.
O mesmo ocorre com a vida. Se gastamos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes.
Presta atenção às coisas que realmente importam. Estabelece as tuas prioridades, e o resto é só areia."
Um dos estudantes levantou a mão e perguntou:
- Então e o que representa o café?
O prof sorriu e disse: " Ainda bem que perguntas! Isso é só para lhes mostrar que por mais ocupada a vossa vida possa parecer, sempre há lugar para tomar um café com um amigo. "
Quando as coisas da vida te parecerem demasiadas, lembra-te do frasco de maionese e café.
Paulo J. M. Santos

Publicado por Antonio em 01:21 PM | Comentários (2)

maio 01, 2005

Arte

Charles Chaplin, além de um grande comediante, ainda legou mensagens que servem para reflexão.

Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia-noite.
Minha função é escolher que tipo de dia que vou ter hoje.
Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a rua.
Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício.
Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.
Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido.
Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho.
Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus por ter um tecto que abrigue minha família e meus pertences.
Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades.
Se as coisas não saíram como planeei, posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.
O dia está à minha frente, esperando para ser o que eu quiser.
E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma ao meu dia e ao mundo.

Tudo depende só de mim.

Publicado por Antonio em 04:46 PM | Comentários (1)